A Inteligência Artificial (IA) entrou nas nossas casas como o vento que entra quando abrimos uma janela. Mais do que nunca, está presente no nosso dia a dia: nos nossos celulares, naquele aplicativo que utilizamos e, no caso dos apostadores, nos sites que visitamos a todo momento.
Mas será que os algoritmos podem realmente prever os resultados de um jogo? A resposta curta é: sim. A explicação, essa é um pouco mais complexa e envolve entender tanto as capacidades da IA quanto as suas limitações, principalmente quando o assunto é escolher entre as diferentes plataformas disponíveis.
A IA já é melhor que o melhor dos humanos, mas o futebol não é uma ciência exata
Existe uma grande tendência de olhar para a Inteligência Artificial quase como uma entidade divina, achando que todas as informações fornecidas por ela são verdades absolutas e incontestáveis.
No que diz respeito a essa parceria entre o mundo das apostas esportivas e a IA – que andam praticamente de mãos dadas hoje em dia —, é preciso sublinhar um dado muito importante: o esporte não é uma ciência exata. Existem inúmeras variáveis que não podem ser calculadas.
Aplicando esse tema mais concretamente ao futebol, é preciso ter noção de que, em um jogo de 90 minutos, existem variáveis como a chuva, o vento que muda de direção, a lama que pode travar um contra-ataque que parecia promissor, a lesão que impede o jogador mais importante de uma equipe de entrar em campo a poucos minutos do início, a bola que bate no travessão e sai…
Há tanta coisa que pode acontecer em um jogo de futebol que é impossível, até mesmo para a “superentidade” IA, prever com 100% de precisão o resultado final.
Estudos recentes indicam que, no futebol, a habilidade dos jogadores explica apenas entre 60% e 68% dos resultados obtidos; os restantes 32% a 40% pertencem a uma “fatia” entregue às variáveis, uma vez que o comportamento humano é complexo demais para ser reduzido a uma ciência exata.
É, no entanto, nesses 60% a 68% que a IA consegue ser superior aos melhores tipsters do mundo. Um ser humano não consegue ler dados estatísticos com a velocidade que a IA faz atualmente. E o fato de conseguir cobrir mais “terreno” faz com que ela já seja mais confiável que o comum dos mortais – mas nem tudo o que reluz é ouro…
O basquete, o futebol e o caso raro do críquete
A alta frequência de pontos que existe em um jogo de basquete, por exemplo, na NBA, dilui a aleatoriedade do resultado e faz com que a IA consiga se destacar com mais facilidade em relação ao conhecimento humano. Estudos recentes revelam que a IA já consegue ter uma precisão de quase 74% na previsão de resultados, enquanto os analistas tradicionais ficam em torno de 68%.
No futebol, a aleatoriedade aumenta, mas nem isso freia a IA. Os jogos têm menos mudanças de placar e de posse de bola do que no basquete. Ainda assim, dados da última Copa do Mundo de futebol, no Catar, em 2022, indicaram que a IA conseguiu atingir uma precisão de cerca de 75% na previsão de resultados dos jogos. Assustador, não?
O caso do críquete é fora do comum. Existem testes específicos com modelos de Machine Learning que conseguem acertar mais de 95% dos resultados. Para chegar a esses números de precisão tão elevados, são fundamentais os Support Vector Machines (SVMs), que calculam o estado físico e mental dos atletas em campo.
Esses algoritmos vêm acabar com as dificuldades que os analistas tradicionais tinham em calcular padrões de fadiga e já são determinantes até para as próprias casas de apostas se anteciparem no mercado de odds antes de um jogo começar, reforçando a velha máxima: “a casa sempre vence”.
Esses testes específicos com SVMs foram recentemente aplicados em jogadores da Major League Soccer (MLS) e conseguiram superar as próprias previsões das equipes médicas dos clubes, permitindo ao algoritmo perceber com maior rapidez quando um jogador iria se lesionar ou apresentar sinais de fadiga muscular.
Os perigos de um palpite validado pela IA
Embora existam de fato site especializados nas previsões esportivas, nem todos são confiáveis. O mais conhecido dos sites de palpites que usa algoritmos é o site Wincomparator, mas esse site faz validar todas suas previsões por humanos, que inclusive fazem um comparativo das melhores casas de apostas totalmente humanizado, para ajudar seus usuarios menos experientes.
Mas em regra geral, quando um usuário se depara na internet com um palpite analisado ou validado pela IA, ele automaticamente assume a objetividade e a precisão da análise como verdade absoluta e ignora por completo a possibilidade de imprecisão estatística do modelo.
Estudos recentes revelam que esse “gatilho”, muitas vezes usado pelas casas de apostas, dá ao usuário uma espécie de ilusão de controle, uma falsa percepção de que ele possui efetivamente uma vantagem técnica ou informativa sobre o bookmaker. Esse método acaba sendo benéfico para as casas de apostas, uma vez que os usuários intensificam o volume de apostas.
Se a IA já acerta 75% dos resultados… por que não estamos todos ricos?
Essa é a pergunta que verdadeiramente interessa responder. De fato, a IA já consegue prever resultados de um jogo de futebol com 75% de precisão. Mas é aqui que voltamos atrás no texto e relembramos o momento em que escrevemos que a qualidade das equipes explica apenas entre 60% e 68% dos resultados de uma temporada. Pois bem, os restantes 32% a 40% entram em conflito aqui.
Quando uma IA afirma com toda a certeza que se deve apostar na equipe A porque ela é claramente favorita e vai certamente ganhar, os ganhos não costumam ser muito altos. Mas, quando o resultado não corresponde à previsão da IA (os tais 32% a 40% entrando em ação), as perdas são muito superiores aos potenciais ganhos.
Em resumo, a IA acerta com relativa facilidade os resultados dos jogos, mas a grande precisão que tem em alguns esportes pouco serve para que os apostadores consigam obter grandes lucros. Isso porque os algoritmos indicam a probabilidade mais alta de um evento vir a acontecer, mas não colocam em pauta as variáveis que podem ir contra esse palpite (como a possibilidade de a equipe menos favorita vencer o jogo), deixando a carteira dos apostadores em sério risco.
A IA é uma ferramenta que pode ajudar a obter melhores resultados, mas a decisão final deve ser sempre do apostador ou do analista.
